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REITOR DA UFSJ AFIRMA QUE UNIVERSIDADE NUNCA FECHOU PORTAS PARA DEBATE SOBRE HOSPITAL REGIONAL

Audiência pública debate alternativas para custeio da unidade e aponta necessidade de articulação entre município, Estado e Governo Federal

A audiência pública realizada nesta semana na Câmara Municipal de Sete Lagoas colocou no centro do debate uma das principais preocupações envolvendo o Hospital Regional: o modelo de custeio e a sustentabilidade financeira da unidade após sua inauguração.

O encontro, solicitado pelo vereador Caio Valace, reuniu representantes da área da saúde, lideranças políticas, especialistas e membros da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), responsável pelo modelo de hospital universitário implantado em Divinópolis.

Durante a audiência, o reitor da UFSJ, Marcelo Pereira, afirmou que a universidade nunca esteve fechada ao debate sobre uma possível construção conjunta envolvendo o Hospital Regional de Sete Lagoas.

“A universidade sempre vai trabalhar com as questões técnicas. Se pode fazer, vamos discutir. Se não pode, vamos dizer que não pode”, afirmou o reitor durante sua participação.

A declaração ganhou repercussão porque, nas últimas semanas, parte do debate público passou a tratar a federalização como uma possibilidade descartada pela universidade. Segundo os participantes da audiência, no entanto, não houve construção oficial dessa proposta junto às instituições federais.

Para o vereador Caio Valace, o principal objetivo do encontro foi ampliar o debate e discutir todas as alternativas possíveis antes da definição do modelo de gestão da unidade.

“Discutir o custeio do Hospital Regional não é ser contra o hospital. Pelo contrário. É defender que ele funcione com responsabilidade, segurança financeira e capacidade real de atender toda a nossa região”, afirmou.

Segundo ele, o Hospital Regional possui perfil macro-regional e deverá atender mais de 35 municípios, alcançando cerca de 600 mil pessoas.

“O hospital é regional. Portanto, o financiamento também precisa ser regional, estadual e federal. Sete Lagoas não pode carregar sozinha uma conta dessa dimensão”, pontuou.

MODELO DE DIVINÓPOLIS ENTROU NO CENTRO DO DEBATE

A audiência também contou com a presença do vereador de Divinópolis, Vitor Costa, e do ex-prefeito da cidade, Gleidson Azevedo, que participaram diretamente da construção do modelo adotado para o Hospital Regional daquele município.

Em Divinópolis, a unidade foi transformada em hospital universitário federalizado, sob gestão vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), ligada ao Governo Federal.

Segundo os participantes, o processo envolveu articulação entre prefeitura, Governo de Minas, Ministério da Educação, parlamentares, universidade e municípios da região.

“O maior desafio nunca foi terminar a obra. Sempre foi o custeio”, afirmou Vitor Costa durante a audiência.

Já o ex-prefeito Gleidson Azevedo destacou que o município não teria condições de assumir sozinho os custos operacionais da unidade.

“A gente sabe que as prefeituras não têm condições de manter um hospital regional no próprio custeio”, afirmou.

DEBATE SOBRE O FUTURO DO HOSPITAL

Durante o encontro, também foram apresentados dados sobre o crescimento das despesas da saúde em Sete Lagoas nos últimos anos, além de questionamentos sobre o impacto financeiro da abertura do Hospital Regional para os cofres municipais.

Entre os pontos defendidos na audiência estão:


• maior participação da União no custeio,


• construção de um modelo tripartite,


• mecanismos regionais de financiamento,


• e aprofundamento do debate sobre possíveis parcerias institucionais.

AUSÊNCIA DA PREFEITURA MARCA DEBATE SOBRE FUTURO DO HOSPITAL REGIONAL

Apesar da relevância do tema para o futuro da saúde pública de Sete Lagoas e de toda a região, chamou atenção a ausência de representantes do Poder Executivo Municipal. Mesmo diante de um debate estratégico sobre o funcionamento do Hospital Regional, obra aguardada há anos pela população, o prefeito municipal não enviou representantes para contribuir com a discussão, evidenciando a falta de engajamento de parte da classe política em uma pauta fundamental para o município e para os 35 municípios atendidos pela rede regional de saúde.

O vereador Caio Valace afirmou que a audiência representa apenas o início de uma discussão que precisa envolver toda a região e lamenta a falta de representantes da prefeitura no debate.

“Estamos falando de um hospital estratégico para centenas de milhares de pessoas. Por isso, esse debate precisa ser feito com transparência, responsabilidade e participação pública”, concluiu.

Assista a Audiência Pública pelo You tube