Céu limpo
23°Céu limpoSete Lagoas, BR
Publicidade
Sete Lagoas

Cientista político analisa plano estratégico da Câmara para os próximos 10 anos

Ênio Eduardo opina em artigo sobre Projeto de Resolução que dispõe sobre o direcionamento estratégico da Câmara Municipal de Sete Lagoas para o período de 2023 a 2033

Celso Martinelli

O cientista político Ênio Eduardo, analisou matéria que foi manchete do Jornal SETE DIAS no dia 23 de junho deste ano. Trata-se da proposta da Mesa Diretora da Câmara Municipal, onde o presidente da Casa, vereador Caio Valace, detalha  o Projeto de Resolução que “dispõe sobre o direcionamento estratégico da câmara municipal de sete lagoas para o período de 2023 a 2033 e dá outras providências”.

O presidente do Legislativo, o vereador Caio Valace, explicou que a meta da Mesa Diretora implica, entre outras coisas, é criar uma política local planejada a médio prazo. “Ou seja, um direcionamento para que as ações do poder público sejam pensadas considerando seu impacto em um prazo mínimo de dez anos. Todas as ações, projetos e perspectivas, a partir de agora devem vislumbrar um crescimento ordenado onde, os impactos sociais, ambientais e econômicos devem ser considerados dentro desse prazo”, afirmou.

REVEJA MATÉRIA AQUI

A seguir, análise do articulista Ênio Eduardo:

É possível inovar no poder legislativo municipal?

Como se daria o processo de inovação numa casa que, em tese, não entrega serviços públicos na atividade fim?

Ênio Eduardo
Cientista Político

Diferentemente dos poderes executivo e judiciário, ao legislativo compete o dever de fiscalizar e de legislar. Essas atividades não são tão visíveis ao cidadão. Pelo menos não como são os serviços de transporte público, de saúde, de assistência social ou mesmo de fiscalização de trânsito.

Sob a presidência do vereador Caio Valace e apoio unânime dos seus pares, a câmara dos vereadores nos apresenta um escopo de inovação para o legislativo municipal, com a aprovação do Projeto de Resolução que “dispõe sobre o direcionamento estratégico da Câmara Municipal de Sete Lagoas para o período de 2023 a 2033 e dá outras providências. O Projeto traz à prática legislativa o que há de mais contemporâneo em termos de estratégia organizacional. Temas relevantes, como o da democracia participativa, da transparência ativa, do uso de tecnologias para fiscalizar, da informatização de seus processos, da motivação e da produtividade voltada para resultados dos agentes públicos da câmara municipal, dentre vários outros temas, passam a ser rotina na vida legislativa de Sete lagoas.

Hoje, além do movimento das govtechs – empresas de tecnologias que resolvem problemas para o governo – há também o das legistechs – empresas e processos inovadores com foco específico no poder legislativo. Com o Projeto de Resolução da Câmara Municipal, finalmente a visão estratégica de futuro que visam os interesses da sociedade setelagoana passa a ser a tônica da atuação legislativa, o que impõe aos edis um compromisso na promoção da participação popular e na diminuição substantiva da politicagem que só atende a interesses mesquinhos.

O Projeto de Resolução atende ao urgente desenvolvimento de uma política de inovação legislativa estrutural na Câmara Municipal. Ao vincular suas ações ao plano estratégico decenal, ao planejamento de desenvolvimento pessoal e ao orçamento da casa, será desenvolvido um verdadeiro sistema de inovação legislativa, que seja integrado, orgânico e holístico.

O projeto prevê a relação de inovação com a gestão por competências, de desempenhos e de liderança de cada agente público e agente político da casa, de modo a fazer com que sejam verdadeiros intraempreendedores, capazes de ver soluções criativas para problemas antigos.

A comunicação será facilitada e um canal de diálogo aberto para novas ideias incentivado. Os edis, ao aprovarem este projeto, na prática compreenderam que não existe inovação em um ambiente fechado, refratário a novas opiniões e sem agentes públicos que questionem o status quo.

Num futuro breve, a Câmara Municipal será dotada das principais tecnologias informacionais. Desse modo, a prestação de contas públicas se dará por meio de uma cadeia de blocos virtuais imutáveis chamada blockchain. O legislativo poderá por exemplo, instalar câmeras inteligentes que vigiarão obras e serviços da cidade, que facilitarão seu papel fiscalizador. Os processos eletrônicos que serão implantados facilitarão o procedimento de tomada de decisão com os grandes volumes de dados – big data.

Numa era em que a confiança é algo difícil de se ter, a Câmara Municipal de Sete Lagoas, a partir da aprovação deste Projeto de Resolução poderá utilizar da tecnologia digital para reaver a confiança que pouco vem tendo dos cidadãos.

Os processos fiscalizatórios serão espraiados, aperfeiçoados, delegados à tecnologia e os vereadores precisarão, com isso, criar estratégias inteligentes para exercer sua importante missão. Os vereadores e seus assessores serão em grande medida fiscalizadores e analistas de dados.

Respondendo à pergunta inicial: é possível inovar no legislativo municipal? A resposta é sim. O legislativo setelagoano finalmente saiu do longo sono e compreendeu, que com o avanço das novas tecnologias disruptivas, os debates sobre a inovação das práticas representativas passarão a ser central no exercício dos mandatos eletivos.

A gestão da mesa diretora da Câmara Municipal de Sete Lagoas, sob a presidência do vereador Caio Valace e apoio unânime dos seus pares, marcou um “gol de placa” com este Projeto de Resolução.

Que essa ousadia em inovar do legislativo municipal possa ser a contagiante a ponto de influenciar o Poder Executivo Municipal em que essa realidade ainda parece bem distante.